Ô, meu dengo, cê já sentiu saudades de um lugar que ainda não pisou? Eu sinto sim! Desta vez, a vítima de minha saudade é a Bahia. Amanhã irei para o Brasil. Um pingo e meio de dia em São Paulo e partirei para conhecer a terra de São Salvador...um lugar tão brasileiro que até me emociona. E de Sampa eu quero é abraço apertado de amigas queridas, de quebra, umas comidinhas que só a cidade oferece. Sim, sou faminta confessa! Da Bahia eu quero é Morro. Morro de São Paulo, ilha, sem carros, sem barulho, mar, horizonte infinito e azul, água cristalina, gente gentil, mato e boa comida. A vida é mágica quando sobra um tempo para sair e explorar o mundo! De Salvador eu quero história, brasilidade, cor, sorriso, mercadão, frutas novas e doces, andanças e praias lindas...Relendo isto me sinto com 5 anos de idade, na fase do EU QUERO! E quando é que isso passa? Verdade seja dita, eu quero é mar...
Salvador foi palco de uma passagem bem intrigante da minha história, antes mesmo de eu pensar em nascer. Aliás, sem a qual eu não nasceria! Minha mãe foi morar lá obrigada pelas circunstâncias de meu avô ter sido transferido, como militar. Era uma guria enamorada de um rapaz muito bem apessoado que vivia a milhas e milhas de distância! Difícil ser feliz assim aos 17 anos! O ano era 1975, plena Ditadura. {Não vou abrir aqui os detalhes da saga romântica, tá mãe, não te preocupa.} Mas o final da história foi feliz. Meu pai pegou um vôo para Salvador sem avisar da visita, fez uma surpresa a todos e a pediu em noivado (época de muitas etapas!). Eu adoro essas histórias e aos detalhes que elas me remetem. Fico imaginando meu pai no aeroporto de Porto Alegre, comprando uma passagem de última hora, num tempo de bilhetes aéreos caríssimos. Amor?! Pura teimosia, isso sim! Ele é de touro! Persistência é uma marca. Jamais iria abrir mão de um plano de casamento só por que a Cinderela foi praticamente carregada pelo Exército Brasileiro. Tem muitas fotos deles por lá. Momento em que minha mãe jogava um bolão e driblava meu pai com facilidade. Driblava no sentido literal, com chapeuzinho e tudo. O chapeuzinho maior veio no ano corrente. Casaram-se! E cá estou contando tudo. Talvez na Era de Peixes que se aproxima os ventos mais românticos soprem com força sob os corações. Há esperanças! O mundo não pode ser tornar esse mar de materialistas tecnocratas ambulantes. Pensem nos grandes atos de amor! E no quanto eles mudam a trajetória da humanidade, pingo a pingo...
Nem sei porquê tudo isso me veio à mente...acho que estou sensível a temas do coração. Também pudera! Depois de lá, tanto e tanto ainda vai acontecer nesta minha vida mucho louca... fato é que piso em Toronto só quando o verão chegar e o sol começar a se pôr lá pelas 21h! Chega deste friozeco que não quer partir. Bom, é isso...caderninho de viagem à mão, chapéu na cabeça, mochila nas costas e peito aberto...Bahia aí vou eu!!
"Ai, ai que saudade eu tenho da Bahia
Ai, se eu escutasse o que mamãe dizia
"Bem, não vá deixar a sua mãe aflita
A gente faz o que o coração dita
Mas esse mundo é feito de maldade e ilusão"
Ai, se eu escutasse hoje não sofria
Ai, esta saudade dentro do meu peito
Ai, se ter saudade é ter algum defeito
Eu pelo menos, mereço o direito
De ter alguém com quem eu possa me confessar
Ponha-se no meu lugar
E veja como sofre um homem infeliz
Que teve que desabafar
Dizendo a todo mundo o que ninguém diz
Vejam que situação
E vejam como sofre um pobre coração
Pobre de quem acredita
Na glória e no dinheiro para ser feliz" *
Dorival Caymmi